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quinta-feira, 17 de março de 2011

Criar, armar, ...

correr? Abordar as novas ruas que novas pedras se esfalfaram para cobrir. E ainda asism a chuva as levanta. Ainda assim os gritos da rua as manquam. Ainda assim escorrem em dilúvios os pregões e os pregos dos que ficaram, de tanto pregar, roucos. Ranças as gargantas dos que desistiram de ofegar. Ofegantes aquelas que ainda não requebraram. Sob o peso dos paus, dos maus e dos pregados. Sob o medo dos jurados, os calados e os afónicos inveterados. São os passos de quem jubila os que pior são ouvidos, mas mais doce o seu som. São chiados os que repatriam os sonhos destinos, mas mais apagados no seu miar. São criados os que servem e os que com eles crescem, mas mais deleitados no seu guinar. Ouvem-se vozes doutras fronteiras para a nossa apagar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

conversas destravadas

Perdidas, algures entre o sentido do que se ia a dizer, um gesto que desvaneceu naturalmente por entre as expressões e os olhares que, de tanto serem lançados para o lado, perderam o percurso oque tomavam, cansados de um esforço de memória, que, sinceramente, não lhes devia caber...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

a bebida dos deuses


concentrada num corno de animal sumido...

a fruta dos mortais


trincada entre sucos deslizantes e garras afiadas de marfim tingido.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

poço gargantular


Quantos sapos saltariam para dentro do charco, se o charco fosse espesso?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

presentes


Recentes e amassados. O que ficou esquecido por detrás da árvore, à porta de entrada da casa iluminada por mãos intrépidas. Piscam os olhares ressonantes pelo papel de cada convidado, cada gesto estremunhado pela surpresa presente em cada laço recuperado. Paços e cantigas gravadas em sílica. Gestos mumificados em feltros e linhas cardadas.
-Juro-te que se mexeu!
-Está calado, pá...
-Juro-te! Nem estava a olhar, mas vi! Tenho a certeza.
-Tens lá disso. Cala-te pá,
-Mas olha!
-Cala-te que estão a dar os nomes!
-Juro-te...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sou um cão


Preso num barranco
à beira mar.
Daqui vejo o fim do mundo
aproximar-se, uma tempestade
de cada vez.
Estou velho e o fim por que
tanto espero tem de estar perto.
Sou um cão, preso por uma coroa
à intempérie
que se aproxima, uma vaga
de cada vez
estou cada vez mais cego
e o fim que sinto aproximar-se
rouba-me os ossos.
Sou um cão velho
mas não por muito mais.
in O Livro das Esperas...

domingo, 30 de novembro de 2008

retardatários

os momentos de espera infindável, de horários trocados, um dia torcido pela vâ confiança naquilo que mais rapidamente nos pode traír. A memória de quem nos rodeia, a lembrança do que é sentir um outro braço no ombro. São tortas as portas que nos fazem atravessa de tropeção, São tontas as gordas que nos enchem a razão. São vossas e não nossas, que de meu já temos todos pouco. Demasiado pouco. para demasiadas vontades.

sábado, 22 de novembro de 2008

contornos infindos

Colocados lado a lado, cada dedo aponta para o seu sentido, sua razão. Cada membo disfaz o seu discurso, pára para olhar quem observa o seu caminho e segue e põe mais um pé estratégicamente aleatório à frente do anterior. Dos dedos passam dedos de conversa, desses passam histórias que se medem em dedos, dizem, descarnados. São muitos os sonos perdidos e os momentos inutilizados e disfarçados de tosse sem desenvolvimento. Anti tússicos, anti celulíticos, descontinuidades e anuidades descontinuáveis. São troços de famílias, arrastadas pelo caminho de um país de fronteira mellosa para outro com uma mais turva ainda. Aos olhos de quem já não vê, nada interessa a não ser família. A história de quem te trouxe até aqui.
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Mariana Perry