sexta-feira, 28 de novembro de 2008

cândidas velhices


Pequenas reprimendas doutros tempos em que a língua se desengatava melhor, o ar tinha um cheiro mais fresco a mar e folhas. Os pés traziam uma alegria no salto que contagiava os joelhos e as faziam desbobinar pela história abaixo. Cabelos agora enrolados em frases quebradas, brincos presos por ideias feitas. Agulhas tricotar suposições sobre ombros curvados. Mão geladas que erguem o limiar do fulgor ao balcão e pedem com todo o fôlego que têm por um garoto doce e tenro, meio copo de água e um folhadinho dos de cima, que não são de ontem.

Sta pa fla

bo mamai. Mi corazan ta tchora, chei di dor...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sorvendo fumos

Em copos de veneno liofilizado e rehidratado, são pequenas as partículas precipitadas. Estranhas as gotículas que se amontoam do outo lado do vidro, aqui tão longe, estranhas porque não as toco. da mesma maneira que deixo de ouvir as vozes que me entram pela raiz dos cabelos e se alojam ao fundo do pescoço, ali, onde a nuca de depara com uma tremenda falta de etiqueta à imagem da língua que ressente uma falta de chá que não convém a uma senhora de calibre 12.6... Não que conheça nenhuma... ou talvez seja essa quem se ouve quando a cabeça gira em parafuso até ao calor abafador da fronha que nos emoldura o perfil num mar de pintas e riquinhas e, quem sabe, florzinhas, porque não? aos pés, uma moldura barroca de lenços assoados assentes sobre o soalho que há muito deixou as pretensões de aprender a voar. Boa noite, meus caros, que o dia ameaça...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Na fossa...

... nasal. Que outra mais para nos fazer a vista turva, o coração bater e ressoar pela memória perdida, os dedos tremidos num lenço que não lhes agarra o temor. De mais um espirro. Não, outro não. Pronto, siga...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um momento

...de cada vez, cada passo na sua poça, a cada salto o seu corrimão. Dêmos as mãos, cruzemos os braços, façamos preguiças e estoiremos com paciências alheias. Desde que não nos descubram, desde que não nos prometam nada que não saibamos contornar, ficaremos bem.

domingo, 23 de novembro de 2008

relut.âncias

Sempre quiz ser descriminada, mas nem por isso me deram ouvidos...

sábado, 22 de novembro de 2008

contornos infindos

Colocados lado a lado, cada dedo aponta para o seu sentido, sua razão. Cada membo disfaz o seu discurso, pára para olhar quem observa o seu caminho e segue e põe mais um pé estratégicamente aleatório à frente do anterior. Dos dedos passam dedos de conversa, desses passam histórias que se medem em dedos, dizem, descarnados. São muitos os sonos perdidos e os momentos inutilizados e disfarçados de tosse sem desenvolvimento. Anti tússicos, anti celulíticos, descontinuidades e anuidades descontinuáveis. São troços de famílias, arrastadas pelo caminho de um país de fronteira mellosa para outro com uma mais turva ainda. Aos olhos de quem já não vê, nada interessa a não ser família. A história de quem te trouxe até aqui.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Conversas de Alzheimer XVI

Espere, deixe-me adivinhar... é uma surpresa!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Gato pardo

Ave la rapina, olhos de candura e desplicência. Vôos de resgate em filas de espera sem demora alguma, são tolos, são todos tolos. E agora vão ter de devolver o que sabem ao mundo. Um ar de tolice, um ar de candura, um ar de modernice, que o vi na montra, que mo mostaram quando passámos, que mo disseram mais do que uma vez e po rvozes diferentes. Ideias demasiado apertadas para se poderem solar. Um tom persistente, latente... Roufenho e incrédulo... Como nos tornam velhos, as tardes. Como nos fazem pesar nas pestanas as madrugadas. Como tudo e todos nos mantêm apartados e nos apertam o peito por falta de vista. A Graduação padece, realmente, de reajustes pelo menos uma vez por ano... As leituras ficam mais grossas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Caras familiares

Retidas na retina permanente. Que não esmoreçam, que não padeçam de alguma ausência. Marcaram-se na mole desse olhar ofuscado, talvez, pela luz. Porque não?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Metendo as mãos


...pelos pés. E a adorar cada passo trocado pelo caminho...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cabeças unidas


Valerão mais do que uma só? Se sonhamos, em grupo... Se vemos, singular... Se tocamos é no outro. Deixemo-nos de tudo. Que não vale a pena no dorso desse pássaro-da-índia. Deixem-no voar que não sabe fazer outra coisa. Deixemo-nos de ser reis que apenas ordenam o que já se faz. Deixemo-nos abandonados numa esquina pouco familiar, para mudar de ares, para mudar de caras, para mudar de cheiros. Que viva connosco, que viva aqui, neste não-espaço que nos aproxima.

domingo, 16 de novembro de 2008

Furo em furo

Compasso em compasso, sussurro em sussurro um minuto descalço tropeça e arredonda-se no pavimento lustroso, rugoso de tanto olhar urbano, de tanto controle e possessão.

sábado, 15 de novembro de 2008

Conversas de Alzheimer XV

Não sei se está ao corrente, mas vi no outro dia um programa interessantíssimo que colocava em questão a identidade como característica genética...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ternas loucuras

Passeios no campo, cheirar as flores das caleiras e depois espirrar. Espiar o tempo, que passe sempre e sempre bem sempre certo sempre perto. Passos no asfalto, cabeça no ar perdida em projectos e linhas imaginárias que se intersectam em pontos que não existem, em esquinas recônditas de planos de 3 anos e telas de retrosaria. São insanos os cidadãos do mundo que porventura se desprendem das rédeas de uma sociedade dita normal. Não nos compreendem, meu querido, não nos compreendam eles.

coisas de pêlos

Coisas de lendas, de mitos e boatos; de diz que foi e diz que foi assim. E de perguntar se se tem a certeza e de se responder que sim, embora não se saiba de todo nem mais nada do que aquilo que se ouviu alguém dizer. Diz que sim e abana a cabeça, diz que sabe e que o deve ter lido nalgum lugar. Que se acredite, que se foi viajado em seu tempo e se deixe acreditar nalgo que, noutro lugar qualquer se derramaria por terra porque o que se diz, mesmo quando não se conhece quem o disse, nem sempre se escreve. E quando se escreve mais razão é para não se acreditar no que se está a ler.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

leituras primárias

- E começa sempre assim?
- Sim, é sempre assim que começa.

- Hãn... e porquê?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Conversas de Alzheimer XIV

E foi então que apareceu um tipo de sobretudo encarnado e trenó, que perguntou em que direcção ficavam as Maldivas!

domingo, 9 de novembro de 2008

golpes de carril

Numa janela cega, infindo o desenrolar de palavras que aqueceram e sublimaram no decorrer de um dia. São repiradas letra a letra, são escutadas calmamente as pausas... que respire, que sorria desse lado, que encaracole o cabelo nos dedos, que faça tudo o que não se vê, que o tragz tão bem em memória que o vê a espreitar os joelhos e as dobras das calças, das mangas do casaco, a contar os minutos que os deixam partilhar. Repartido o tempo sim, mas mais certa a intenção. Não são meros metros que dividirão essas solas, não será mero asfalto nem terra batida que lhe retrairá os pés de fazer esse percurso. Já fora mais longe por menos, de outros ares já retornara sob menos certeza. Resta que mantenha o nariz quente, o pescoço desenvolto e os pés com vontade de andar.

sábado, 8 de novembro de 2008

Noctis


stabilis, omni est.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Conversas de Alzheimer XIII


Cada vez que tento olhar para o infinito, parece que não me consigo concentrar...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

papa.papéis

papa.papelada.poupa.pouco.e.não.vê.mais.nada...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

des leixada

entre as páginas lidas à priori, um artigo mastigado e descritivo de um olhar devoluto e coerente. Crentes são os ovos, que não vêm o fim da sua fadiga. Sapientes são os tordos que não medem o seu canto em palmos. Os luxos da intriga devem-se a bolsos, tortos como quem não sabe costurar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Cuspo e delas


Esgrafito sob um teclado partilhado por turnos, sob pensamentos paralelos, percursos intocáveis e um olhar atento que tudo vê, tudo enxerga.

domingo, 2 de novembro de 2008

Escondido

A um canto, temendo a vontade de saír pela janela fora, pegar no cachecol e no par de meias de lã e dizer que não teria frio, estava a loucura que espreita á esquina de Novembro.
Terríveis dias de luz fugidia, que também ela temia o sopro invernal que gela as ideias sob o capacete russo de cabeleira fina. São noite os dias e noites as noites e frios os gesto e tremidos os sentdos de palavras perdidas no abafo tricotado de conceitos gelados e pontas de nariz pingantes. São tremendas as forças que impedem o passo, que gelam o compasso num tempo recortado em frieira. São tontas as feiras sem delineamento em papel, cada vez mais longo o momento entre o piscar do olho e o levantar da pálpebra, gorda de sono, endurecida pela escuridão e a malícia de um sopro friozinho, tremidinho, sacaninha...

sábado, 1 de novembro de 2008

Pássaro Cármico


Passarinho verde, tonto passarinho, que te deitas tarde...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Lentes

bifocais, progressivas e reduzidas. Caixas de olhares tremidos e desfocados. Mentes tremidas que nem mão no inverno, que gela a mente, que gela o nariz, que concentra toda a energia numa única haste que se encosta à pele e a faz entrar em erupção. Truques de luz, talvez, o que faz sorrir as multidões, truques de luz, concerteza, o que descai os cantos em prantos do que terão visto noutras épocas, noutros tempos, noutras modas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Opus maiorum

Sem cal nem desfeita. Sem argamassa nem correcção de prumo. Sem olhar para trás nem muito menos confiar no futuro. Graníticas as edificações memoráveis. Terríficas as histórias que se esgueiram pelo cancioneiro. Populares os caminhos escavados que mergulham sob as lendas. Famosas as mensagem escritas na superfície lítica, descrições de outros nomes, outros poderes, outros cinzeis. Sejamos cruéis.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Visões

Ofuscantes e esplêndidas, em contra luz de quem espera ver resolvida na miríade incandescente um olhar vincado pelo percurso, um desdizer sorrido, uma nota de reconhecmento. Do bolso arreado de mantimentos se puxa um pouco de sombra sobre os olhos, que reguardam melhor as feições de quem passa e por nós procura. Um indício de... nominação.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

bancos de cozinha e enfarinhados


- Ó avó, que é um Galhadrapo?
- ... vá, deixa-te disso e volta-te para a frente, não deixes essa massa assentar.
- Mas o que é? O que é um Galhadrapo avó?
- As coisas que tu inventas. Onde ouvistes isso?
- Foi o Manuel Faustino que disse! Estávamos a brincar e... e assim, olha avó... e ele disse que quando era pequenino que tinha, que tinha um, u-u- um Galhadrapo!
- Não faças isso à massa, filho! e esse menino Manuel tinha mais era que te enfiar uma dessas na cabeça
-Mas ele tinha, 'vó! Quando era bébé, ele tinha!
- E a mãe dele, deixa estar...
-Mas ele, ele tinha um. Ó 'vó, o que é um Galhadrapo?
- A mãe dele, no seu tempo, também inventava com cada coisa.
- O que é um Galhadrapo, 'vó?
- Viagem a França, foi... pois claro, não havia de ser!
- Ó 'vó? 'vó!
- Diz, filho.
- Quando é que a mãe chega?
- Deve estar aí a chegar.
- E... e quando a mãe chegar vamos lanchar, vamos 'vó? Vamos lanchar?
- Sim. Mas o que andas a fazer a essa massa, filho?
- É um Galhadrapo, 'vó.
- Ó filho, só cá me faltava mais esta... vai-se queimar nas pontas...
- Mas são os dedos.
- Vão-se queimar.
- Mas ele precisa de dedos...
- Precisa agora de dedos, esse teu bicho.
- Não é um bicho, é um Galhadrapo.
- Pois sim, filho... mas tira-lhe os dedos para o levarmos ao forno.
- Ó 'vó...
- Não se fala de boca cheia.
- Ó avó?
- Diz, filhote.
- O que é um Galhadrapo?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Futurismos


são memórias que projectamos nas agendas em dias trocados

domingo, 19 de outubro de 2008

the show has only begun


And now, we are proud to resent... our very own... freshly squeezed... feature presentation of the day....!

sábado, 18 de outubro de 2008

nem por menos


Por mais que eu queira ou não queira, salta-me a voz para intriga. Por mais que eu ouça ou não ouça quem fala é ela, por mais que eu diga. Por mais que eu peça ou não peça, esta voz, que não me deixa pergunta sempre tresloucada, eu já te dei razão de queixa?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Perguntas pertinentes

Sempre, deste lado da mesa, nunca, desse. Perguntas nos olhos, mãos na testa, em suspiro, preso nos lábios com a pergunta que nunca se pode colocar. Quem está em avaliação premente, quem sugere uma solução convenientemente estudada, quem se lembra do que viu em passos de outrora e em caminhos esquecidos de tão contornados? Sempre assim foi, nunca mudaria. Não agora, pelos menos, não agora e sobretudo não de repente. Nos desertos macios e suaves, descritos e enumerados colocaremos o pé no socalco reconhecido. O que nos impede sempre de nunca sair desse trilho? O que nos relembra que aqueles olhares são de facto os mesmos que, pertencentes a outros olhos, marcaram os nossos nessa distorção que tanto nos marcou o ombro. Pendura sempre em negação absoluta.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Conversas de Alzheimer XII


-Mas afinal, era um pássaro ou um avião?!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pelo Norte...

Ninguém é vizinho de Ninguém. São irmãos que não se falam.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Deduções em mistério zeloso

Seduções em cuidado precário. O preçário para um trejeito abolido mantém-se amarrotado no fundo do bolso de um casaco pendurado. Um cachecol que abafa a voz, prontifica-se a uso indiscreto, um lenço de conturbação aplicada espreita pelo colarinho de uma camisa decotada. Sem vistas nem malabarismos, sem saltos nem tropelias. Um terrível sussurro das costas de uma cadeira de família empolgada, uma tensão de estaticismo impresso no alfinete de lapela rasgada. Sorrisos escondidos, enlaces de pernas em meias brancas. Uma paz sibiliante de confissões temerosas, de interjeições particulares, de dedilhações contorcidas e enrugadas. Se levantares o queixo percebo melhor o que dizes, pode se isso mesmo que tento evitar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O do canto


Canta menos, talvez, mas não por cantar lhe falecer. Desconhece somente o valor de um canto aberto, pelo canto omisso tanto compreender. São palavras mudas, as que não diz, compreensões ocultas, as que não lhe escapam. São gemidos sem tremor sem uma imagem de terror. Horas consentidas num sonambulismo irrequieto, tempos perdidos na irreflexão de momentos em paz. É canário que cala quem mais perguntas suscita, padre temerário de um fôlego que não habita. Naquela voz. Sem sopro nem medida. Contida num mar de represálias pendentes, no fustigar de chibatas em polvorosa. Das que não se vêm marcadas na pele. Das que se sentem em pena.

domingo, 12 de outubro de 2008

Verdes olhos

Mãos azuis. Exangues de gestos que perderam pelo caminho. Contava-te a história do lenço de carpideira que levantou vôo na leveza de tanto uso. Contava-te a serenidade encontrada na testa de um infante que ainda não perdera a vontade de dormir. Contava-te as rugas que ganhaste nos cantos dos olhos de tanto esperares que chegasse. Contava-te tudo. As vezes que corro mais depressa por trazer cores nos pés. Os dias que engulo sapos, bestas e lagartos mesmo sabendo que lhes faço alergia. Os cafés de promessas de estudos que nunca conseguirão passar a primeira página sob a ponta destes dedos. O cabelo que vais perder nas mãos desse temido tempo. O terreno que se intrometerá na existência divina. Os botões do teu casaco de fecho. O colarinho das minhas perguntas.

sábado, 11 de outubro de 2008

No sopé de uma ideia

Os telhados, de rosto adoçado por esse sol divino de uma estação que se deixou ficar para trás, tentada a fezer-se desapercebida, com a certeza de quem veste umas sandálias em pleno Outono. Seguros de si, correm a cidade pé ante pá, não fossem os inquilinos dar pelo seu ribombar, entre o cheiro a fritos e gritos frios colinas abaixo. São escurecidos pela malícia de um sorriso as convida a bailar e depois se esconde antes da música acabar, sem oferecer um copo de vinho que seja. Sorvem caldo em paus de canela demolhados, fazem longos discursos pela taquicardia lunar. São poucos os que os ouvem, menos os que os vêem saltar, que se escondem e baixam sobre paredes pintadas menos sortidas. São desplicentes pelo vento de levante, que traz a sombra pálida de uma careta que nunca os conseguiu fazer sorrir. Estão demasiado bêbados para a ver. Nunca voltam ao mesmo leito, nunca sobrevoam a mesma casa. trazem consigo as novas mágoas de uma brincadeira demasiado ingénua. Saltam memórias de viagens antigas, sobre calhas que não ganhavam pó. Sobre relva que não se quebrava sob o seu passo, de águas que nunca foram mais limpas. Saltam corridas, pelas colinas, pelas vielas mais enganadoras, pelos becos e pelas avenidas. Saltam postes de iluminação e sebes desencantadas, saltam canteiros sem voz e nem mesmo a calçada lhes prende os pés. São loucos, desenfreados e incontornáveis. E sabem-no demasiado bem.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Bloupar tibit Shkitin

Fein ta cun te bit somaranit. Cinquit persan muderco poun. Shta voun. Sha toun. Shtein maculeni maculeat von treu bon te quin to miter. Padare mon, te quen vit bare. Padare non mei tenfare qui malerae boun. Chincare veil, man it ciri bambarre quinto cerei ten y bolt. Shquin. Padar. Padare toun.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Cantigas de escárnio


Maldicência de medo empregnada. Estagnada em momentos de irradiação escorbácea. Sebáceas as adjectivações denicrentes. Desdicentes os verbos empregues. Emberbes as vozes que rasgam as cordas. Mortas as consistências e os trejeitos praticáveis. Impossíveis as situações descritas. Interditas entredentes escarlate e carmim.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sussurros


Descritos em terna manigância. Gritos contidos em fores de cerejeira. Terminal a marroquinaria que me segura o cabelo. Irrequietas as mãos que perderam o sino...
Jarbas, já não vens?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

outros por este

A elegância perdeu-se... foi comprar tabaco.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

cismas nocturnas

Na palma de uma mão deixei toda a minha confiança. Deixei que inspecionassem a minha ternura. Abandonei a toda a minha calma no rolar de um olhar. Pousei devagar as minhas intenções na borda de uns dedos entrelaçados. Coloquei toda a minha cautela no roçar de uma pestana. Deixei que me atassem os pés com fios desse cabelo. Deixei que me amordaçassem a respiração no rastejar de um queixo. Deixei que me deixassem caír com toda a força que nunca imaginei ter e partisse o nariz em grandes bocados. Deixei de me reconhecer ao espelho. Deixei de olhar apenas em frente. Deixei de usar essa pele antes que ma rasgassem. Porque deixei que me deixassem entregue a mais ninguém.

domingo, 5 de outubro de 2008

preciosismos de primeira apanha

São incontornáveis os aspectos precisos referentes a um conceito plenamente distinto de um raciocínio caracteristicamente complexo e interventivo, que dependa de uma série de comparações delicadas e metamorfoses incisivas, sob a clara intencionalidade de confirmar uma acepção cognitivamente ambígua conquanto irrepreensível.

sábado, 4 de outubro de 2008

Devaneios comuns


- Soube trocá-las, desta vez.
- Mas umas novas pelas que tinha?
- Sim, trocou-as.
- Sem...
- Sem grandes complicações, não, correu tudo bem...
- ...relativamente...
- ...pois. Mas agora está bem, já nem olha tanto pela janela--
- Isso é bom
- Sim
- Bom sinal
- ... pois, mas fixou-se, não sei, não sei bem porquê...
- Fixarem-se é normal...
- Pois, mas este novo fascínio pelas mãos, não sei, é estranho..
- Fixarem-se é normal...
- Mas assim? Tanto?
- Sim, é normal. Podem por vezes ganhar alguma consciência, parecem olhar em volta e fixam os olhos nos que os rodeiam
- Ele fez isso hoje
- ... sim, mas não tire nada daí. Eles não vêem nada, realmente...
- Nada...
- Sim, não olham, de facto. Não nos vêem.
- Mas então...
- Somo sombras, para eles nada é na verdade real, não estamos mesmo cá para eles.
- ...
- Somo ainda menos reais que os fantasmas que lhes passam à frente dos olhos.
- Não estamos cá, então.
- Não.
- Nunca?
- Sim, nunca. E não vamos voltar a estar.
- Nunca?...
- Raramente voltam.
- ...
- É triste
- Realmente
-Realmente triste, sim.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

dos píncaros do reconhecimento

Do alto de umas solas de borracha, vê-se o bairro de uma nova dimensão. Esta gente, que não nos viu crescer, agora assume que conhece perfeitamente essa pessoa que as cumprimenta com uma palavra aprendida e bem colocada. São correctas a postura e o tom de voz, estão minimamente alinhados os cabelos num penteado da década corrente. Evitam-se as desgraças elaboradamente esquecidas de caninos alheios, perdem-se horas a escutar as de corpos gastos e surpreendentemente rendidos à gravidade de uma vidinha de banco de cozinha e agulhas de crochet à sombra de uma cortininha de meia-haste. De dentro de paredes de cabedal, soltam-se lampejos e assobios pouco abafados dirigidos a contornos recentemente com novo bambolear. São dementes os retorcidos nas mangas, nervosos os dedos que seguram a alsa da mala. Recorrente o pavimento que se desenrola debaixo de umas solas de borracha que vêem o bairro de uma nova dimensão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Petittes Mouches

De dentro de caixas, de entre o pó, sob a costura de papel e cola de memórias descalças, dedilham-se pequenos números expelidos para os cantos de sua gigantesca propriedade. Estão estarrecidos, os pobres, de terem perdido seu lar por direito. Há muito que não vêem seus vizinhos, seus irmão de armas. Nem o movimento de pulso lhe safa a vista, que de vez a vez alguém lhes faz a folha.
São pequenos, os indefesos, submissos na sua missão de não existirs. Pouco custam ao olhar desmistificante, surpreendente apenas o lugar que deixam por preencher. Perdem terreno a olhos visto e nem por isso têm lugar cativo, que de manifestação silenciosa em agrupamentos soltos, ressaltam na colocação e perdem estatuto continuamente.
São pequenos, esses seres de canto mudo, turvas as mudanças de estação a cada passagem de tempo recorrente. Vincam-se caminhos fugazes, relidos ciclicamente e com a mesma desventura que outros olhares anteriores mas não menos antigos.
São pequenos, enegrecidos por natureza, sujos por descontinuidade.
São pequenos, os petizes, ignorados por uma intensa e desgasta familiaridade.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Estirador, tirante...

Soltam-se as trevas, lançam-se os trevos ao chão molhado. De festa e papelinhos de cores se fazem as vozes, de gritos os rugidos de um bêbado bamboleando na estrada brilhante. São doces os bafos trilhando caminhos passados, atravessados de linhas traçadas no chão numa côr que nem a noite apaga, nem a festa ofusca, nem os passos tapam. São doidos os que se escondem atrás de estores cerrados, não sabem eles que a festa chega a todo o lado e se esgueira em todos os cantos? Quantos mais melhor, ou assim se diz. Diz que sim! E diz que urra! E diz que vai chover! E diz a esse que esteja calado, passa-lhe a alegria, que a noite é uma criança demasiado sóbria.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Mariana Perry